Matéria Especial: Os efeitos do excesso de telas em crianças e adolescentes durante a quarentena

Foto: Getty Imagens -Pandemia do novo coronavírus bagunçou rotinas e fez muitas famílias recorrem mais a telas

O isolamento reforçou a dependência desses dispositivos

Antes da quarentena causada pelo coronavírus, era comum ver crianças e adolescentes vidradas nas telas, seja de smartphones, tablets, notebooks ou computadores. Porém, o isolamento reforçou a dependência desses dispositivos, gerando um alerta em especialistas, pais e professores.

A mudança na rotina dos pequenos, causada pelo cancelamento das aulas, aliada aos desafios dos pais em conciliar o trabalho e os filhos, fez com que a dinâmica das famílias precisasse ser alterada drasticamente. O que resultou em maior flexibilidade no uso das telas.

Mesmo que algumas redes de ensino estejam conseguindo manter o contato e enviar tarefas diárias aos alunos, é difícil exigir que os pais auxiliem seus filhos em todas as atividades propostas pelos professores. Com isso, em vários momentos do dia, os estudantes acabam se dispersando entre vídeos no YouTube, jogos de videogame e redes sociais.

Porém, por mais difícil que seja se adaptar à nova rotina imposta pela pandemia, é fundamental estabelecer limites.

Continue com a gente para saber mais sobre os efeitos do uso excessivo das telas nas crianças e adolescentes e como os pais e a escola podem contribuir para que elas vivam menos o mundo digital e mais o mundo real.

O que o excesso de telas causa nas crianças e adolescentes?

Independente da idade, seja criança, adolescente, adulto ou idoso, nós todos somos seduzidos pelo mundo digital. A quantidade de conteúdos, aliada à flexibilidade de acesso, vicia desde os mais jovens até os mais velhos.

Acontece que as telas nos tornam passivos, nos distanciando das experiências no mundo real. As consequências são ruins para todas as idades, mas principalmente, para as crianças e adolescentes, que estão em processo de desenvolvimento.

Prova disso é que grandes empresários do segmento de Tecnologia, especialmente do Vale do Silício, têm optado por escolas com metodologias que priorizam o desenvolvimento dos alunos a partir de experiências no mundo real.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirma que o excesso do uso de telas pode levar a:

  • Transtornos mentais: irritabilidade, ansiedade, depressão, déficit de atenção, falta de resiliência e dificuldade no convívio social e em lidar com as emoções;
  • Problemas físicos: posturais, musculares, de visão e de audição;
  • Insegurança: cyberbullying, abusos e sexualidade precoce.

Além dos efeitos acima, especialistas alertam para:

  • Alterações no funcionamento do cérebro: o raciocínio, a reflexão e a formação de conhecimento não são estimulados devido ao excesso de informações superficiais, recebidas de forma passiva. O que causa, por exemplo, atrasos na leitura, escrita e baixo rendimento escolar;
  • Habilidades motoras reduzidas: dificuldades, por exemplo, com trabalhos manuais, causadas pela interação constante com o mundo digital.

 

Como diminuir o uso das telas durante a quarentena?

A recomendação da SBP em relação ao uso das telas por crianças e adolescentes é a seguinte:

  • Menores de 2 anos: não utilizar;
  • Entre 2 e 5 anos: até uma hora por dia (com a devida supervisão);
  • Entre 6 e 10 anos: até duas horas por dia (com a devida supervisão);
  • Entre 11 e 18 anos: até três horas por dia (evitando que se isolem no quarto);
  • Todas as idades: evitar telas durantes as refeições e uma hora antes de dormir.

Para botar em prática os limites acima, sugerimos algumas ações. Veja abaixo:

Previna

A tecnologia tem sua importância, principalmente neste momento de pandemia. É ela que permite manter o contato com a escola e uma rotina de estudos.

Porém, o uso das telas deve ser limitado. A recomendação da SBP, acima, é uma forma de orientar as famílias para que estabeleçam horários de utilização dos dispositivos digitais.

Lembre-se que, no mesmo aparelho que a criança ou adolescente estuda, ela pode se distrair facilmente com jogos, YouTube e redes sociais. Portanto, a prevenção é um bom começo para evitar efeitos indesejáveis nos pequenos.

Dê o exemplo

A quarentena também intensificou o uso das telas pelos adultos. Todos estão mais tempo em casa, aflitos com as notícias relacionadas à Covid-19. Assim, um clima de tensão é criado na família.

Os pais não podem impor regras se não as cumprem. Crianças aprendem com o exemplo. Portanto, todos devem diminuir o tempo nas telas, tanto os pais, quanto os filhos.

Crie conexão

Priorize a convivência com as crianças e os adolescentes. A satisfação gerada por esses momentos jamais será reproduzida pelo mundo digital.

Realize atividades como, brincadeiras, leitura, atividades físicas e meditação. Peça para que os pequenos ajudem em algumas tarefas domésticas, como na preparação do almoço ou jantar. Essas ações fortalecem os laços entre pais e filhos.

O professor, ao enviar atividades para seus alunos, pode propor tarefas que desenvolvam esse contato com os pais e com o mundo real. O que contribuirá, por exemplo, para o desenvolvimento emocional das crianças e dos adolescentes.

Estabeleça uma rotina

A consistência na rotina dos pequenos é fundamental para que não haja distrações com as telas em horários indevidos.

Cada família funciona de uma forma, portanto, não existe uma receita padrão para estabelecer uma rotina. Mas é importante que todos entrem em um acordo sobre a organização do dia a dia.

Uma ideia é criar um quadro – uma espécie de mural – com as atividades do dia e horários. Lembrando de abrir espaço para as obrigações e para os momentos de diversão.

Como a escola pode ajudar?

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) apontou que 60% dos municípios brasileiros ainda não definiram estratégias para dar continuidade à aprendizagem de seus alunos durante a quarentena.

A falta de um direcionamento faz com que muitos alunos permaneçam em suas casas sem aprender, intensificando o uso das telas. O que causa efeitos desastrosos no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.

Com o apoio de uma ferramenta digital, como o i-Diário, a escola pode ajudar os pais a estabelecerem um ritmo de estudos com os filhos em casa, além de mantê-los ativos no processo de aprendizagem. Com o software, a rede de ensino pode:

  • Enviar conteúdos e atividades para pais e alunos;
  • Manter uma conexão e comunicação remota entre professores, pais e alunos de forma estruturada/organizada;
  • Integrar com outros recursos digitais como, o envio de vídeos do Youtube ou avaliações pelo Google Forms;
  • Contribuir com a criação de uma maior conexão entre pais e filhos.

 

Nas orientações, a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) sugere, ainda, que os pais assumam o papel de referência, exercendo eles mesmos o padrão de comportamento que esperam dos filhos. Além disso, a entidade reforça a necessidade de explicar para as crianças e adolescentes que o momento não é um período de férias, mas uma situação emergencial e transitória de reorganização social, desse modo, todas as atividades cotidianas devem ser exemplarmente cumpridas.

“A necessidade de permanecer em casa é uma medida extrema que modificou completamente o funcionamento da vida das famílias. Nesse período, reforçamos a importância dos pais estarem atentos às recomendações da SBP e, caso necessário, entrar em contato com o pediatra da família para tirar dúvidas – mesmo que à distância – e evitar efeitos deletérios na saúde e bem-estar das crianças e adolescentes”, afirmou a dra. Liubiana de Araújo.

Fica a dica: visto que durante a pandemia estamos necessitando das mídias digitais, conscientize sua criança e adolescente quanto às possíveis consequências do tempo excessivo de tela e auxilie para que ela faça um uso restrito às necessidades prioritárias.

Todos – pais, cuidadores, familiares, escolas, sociedade ampliada – somos responsáveis e coparticipes de uma atitude que contribua com a diminuição do tempo de tela de nossas crianças e adolescentes, inclusive em meio à pandemias. Atente-se: o seu comportamento com as telas influencia o comportamento de sua criança e adolescente.

Informações: Pesquisa na internet

 

Genislene Borges
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